A ANS – Agência Nacional de Saúde Suplementar está investindo em uma nova plataforma de ajuste na relação médico-paciente. Trata-se do programa “Sua Saúde” que estimula e orienta o paciente a se preparar para a consulta.

Sensível, muito possivelmente, a mercantilização da medicina, que incentiva o médico autônoma a uma produção de atendimentos em grande escala, a fim de aumentar seu faturamento, em uma vertente e obriga o profissional empregado ou PJ a ter o mesmo ou maior desempenho sobre o número frenético de consultas realizadas, a  assistência na saúde suplementar resolveu mudar os parâmetros no trato com o paciente, fornecendo a ele uma cartilha para que ele próprio possa instigar o médico a responder suas dúvidas sobre seu estado clínico e também sobre o seu tratamento.

Como dizia Zigmunt Bauman, no mundo líquido em que vivemos conceitos sólidos se esvaíram dando lugar a um sem-número de futilidades e patologias que, entre outras coisas, fomentam um modo de viver acelerado e pueril. A vida moderna não dá espaço para reflexões e muito menos anda em compassos daí a falta de diálogo evidente entre médicos e pacientes, cada um por seu motivo particular.

Nesta esteira, o programa “Sua Saúde” chega com a antiga missão de educar o consumidor, tornando-o mais participativo e interessado nas suas próprias consultas. Assim, a informação dá ao paciente-consumidor um certo empoderamento, que, apesar de lhe propiciar protagonismo no cenário médico, não deve ser instrumento de transferência de responsabilidade, haja vista a expertise próprio do profissional.

O fato é que o paciente precisa entender que é importante no processo, sem quedar-se a qualquer tipo de sentimento inadequado ao caso, como vergonha, por exemplo. É fundamental que   o consumidor saia da consulta plenamente informado, em todos os sentidos, desde ao seu diagnóstico até as condições reais de cura. A ciência do que está sendo receitado, também, integra o rol de elementos essenciais nessa relação.

Por outro lado, ao médico, o diálogo com o paciente lhe propiciará elementos mais sólidos na busca da cura da doença e em alguns casos, a prevenção. O histórico familiar é um dado relevante nessa empreitada. Condições de vida do paciente, incluindo sua dieta alimentar pode revelar ao profissional uma solução precocemente.

A mútua, colaboração, portanto, é condição si ne quon para a eficácia do projeto. Assim, seguem algumas recomendações ao paciente para que a ideia se torne realidade, muito em breve, em nossos consultórios, tais como: (a) faça o dever de casa antes da consulta. Anote tudo aquilo que entender relevante para o médico, sem fazer qualquer juízo de valor, deixe que ele o faça. Portanto, a medicação que toma, hábitos alimentares, dores esporádicas ou constantes e qualquer tipo de comportamento contumaz que o leve algum sintoma de dor ou desconforto; (b) durante a consulta, dê prioridade aos sintomas. Pergunte tudo aquilo que lhe aflige, não saia com dúvidas e se, possível, anote aquilo que considerar importante; (c) Por fim, certifique-se de como proceder em caso de piora ou novo sintoma. Tome nota de todos os meios de acesso ao seu médico.

Lembre-se que, diferente da medicina praticada na idade média , quando os médicos lançavam mão de tratamentos de curandeirismo,  de benzedores, da astrologia e do misticismo, os profissionais de hoje precisam, ainda, da maior quantidade possível de informação para um bom e eficaz atendimento.

Saúde, prosperidade e até a próxima!

Autor: Jansen dos Santos Oliveira, advogado da Sociedade de Reumatologia do Rio de Janeiro.