O Lupus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune que se caracteriza por envolvimento de múltiplos órgãos notadamente lesões inflamatórias de pele, articulações, rins e sistema nervoso central. Trata-se de doença crônica que afeta principalmente mulheres em idade fértil, portanto a gestação é sempre uma preocupação e um tópico de maior interesse.

Para o estudo foi realizado uma meta-análise no intuito de identificar a associação ente LES e parto prematuro. Nesta revisão foram estudados os efeitos do LES, atividade de doença lúpica, uma história de nefrite e de nefrite ativa no parto prematuro. Pesquisas foram realizadas por dois investigadores independentes no PubMed, Embase, Medline e Cochrane Library para publicações antes de 20 de maio de 2016. Onze estudos caso-controle observacionais e treze coortes preencheram os critérios de inclusão. O risco relativo para parto prematuro e LES  versus controle foi de 2.05 (intervalo de confiança (IC) 95%: 1.72-3.32); para pacientes com LES ativo contra inativo era de 2.98 (95% IC: 2.32-3.83); para pacientes com LES e nefrite versus pacientes sem nefrite foi de 1.62 (95% IC: 1.35-1.95); e para pacientes com nefrite ativa versus aquelas com nefrite quiescente foi de 1.78 (95% IC: 1.17-2.70). Em resumo, este estudo identificou uma associação significativa como visto acima. Esta associação foi mais significativa em pacientes com LES ativo contra inativo. Com respeito ao LES propriamente dito, a atividade inflamatória (tal como doença em atividade) pode ser mais perigosa que o manejo da gravidez.

O estudo sugere que é essencial controlar a atividade da doença para alcançar um resultado melhor nas gestações de pacientes com LES. O recado que fica ao final deste artigo de revisão é planejar a gestação nestas pacientes.

Lupus (2017) 26, 563-571

Autor: Dr. Carlos Capistrano