A artrite reumatoide (AR) é uma doença autoimune que acomete indivíduos geneticamente propensos, onde múltiplos fatores ambientais podem induzir o processo inflamatório. O tabagismo vem sendo identificado como um dos maiores fatores de rico para indução e perpetuação da AR. Por sua vez, o ato de fumar foi relacionado à citrulinação de antígenos e a formação de anticorpos anti-peptídeos citrulinados (ACPAs) na AR. Uma vez que fumar pode modificar proteínas por carbamilação (formação de homocitrulina), este estudo foi realizado para investigar esses efeitos sobre a vimentina em modelos animais e AR.

A eficiência da carbamilação enzimática de vimentina foi caracterizada e efeitos da exposição ao fumo de tabaco em carbamilação de vimentina e formação de auto-anticorpos foram analisados em ratos. As respostas de anticorpos contra isoformas de vimentina foram caracterizados no que diz respeito à duração da doença e o tabagismo em pacientes com AR.

A carbamilação enzimática de vimentina foi eficientemente alcançada. Citrulinação posterior não foi perturbada por homocitrulinação. Ratos expostos ao tabagismo continham quantidades detectáveis de vimentina carbamilada e desenvolveram uma resposta imunológica ampla contra antígenos carbamilados. Os títulos de anticorpos contra proteínas carbamiladas foram significativamente aumentados no soro de pacientes fumantes em comparação com pacientes com AR não fumantes.

O estudo conseguiu demonstrar que a resposta imune policlonal contra antígenos modificados na AR é restrita aos autoantígenos citrulinosos e carbamilados, que podem estar envolvidos na patogênese da doença e na resposta à terapia. A exposição direta ou indireta ao fumo do tabaco poderia ter um efeito induzindo a carbamilação, o que poderia desencadear uma resposta das células B patogênicas.

Bibliografia: Ospelt C, et al. Ann Rheum Dis 2017;76:1176-1183

Autor: Dr. Carlos Capistrano