Quando era residente, dava plantão de 24 horas em uma UPA em Cabo Frio a cada 15 dias para complementar a renda farta da residência. Todos os médicos que trabalhavam na equipe eram da cidade do Rio de Janeiro, de amigos mesmo, então sempre íamos juntos.
Excepcionalmente, houve um final de semana em que fomos somente eu e meu marido, que era um dos médicos da equipe também.
Na volta, no domingo, fazia um dia lindo, bem ensolarado. Após passar por um radar com limite de 60km/h havia uma curva mais acentuada, e nosso carro derrapou, rodou e bateu por varias vezes nas muretas de proteção. Em uma dessas batidas o porta malas abriu e todo seu conteúdo (como sabemos, a nossa “segunda casa”) foi lançado barranco abaixo. Graças a Deus, nada grave aconteceu conosco.
Após o susto, saímos correndo do carro e enquanto meu marido avaliava os danos mecânicos eu saí em disparada, pulando muretas, desesperada atrás das coisas que estavam no carro, pois lá havia exames, resumos de prontuários e a agenda do ambulatório da Dra. Blanca Bica (um documento de valor inestimável e insubstituível). Nem me lembrava das dores, nem do carro (que ficou severamente avariado)… só me importava em pegar tudo que estava caído ribanceira abaixo. Convoquei meu marido aos gritos e consegui chamar atenção até da população curiosa que estava em volta, que veio me ajudar ao som dos meus protestos de “Olha a agenda da Dra. Blanca!”. Acho que nunca contei isso nem para ela, mas essa foi a história mais hilária da minha nada mole vida de residente de Reumatologia.