Expectativa é só mais uma palavra que simboliza o mês de dezembro. O último mês do calendário cristão chega sempre cercado de muita responsabilidade, esperança e alegria. Por ser o último de uma série, dezembro nos recebe com o peso de todo o período daquele ciclo de vida que está prestes a se renovar(ou que pelo menos gostaríamos que se renovasse). É a passagem para um outro tempo. Como um condutor de boas energias, dezembro tem o encargo também de nos preparar para esse novel ano, cultivando novos planos e novos desejos.

A esperança contamina as crianças, os adolescentes, os adultos e os idosos. Ninguém, por mais inerte que seja consegue ficar imune a esse sopro de boas novas.

O presente prometido; a viagem dos sonhos; o emprego finalmente conquistado ou até mesmo a recepção pela chegada de um novo integrante na família integram esse carrossel de emoções.

Temos motivos de sobra para sonhar, desejar e, portanto, realizar. Afinal, como diz Paulo Coelho, a possibilidade de realizar um sonho é que torna a vida interessante. Eu diria que é um dos ingredientes para uma vida atraente.

Não bastassem todas essas nuances envolvendo dezembro, ainda temos no mês a maior festa cristã: o nascimento do filho de Deus: Jesus. Quanta responsabilidade dezembro!

Porém, nem tudo são flores e nem mesmo o mais importante mês passou incólume pela dura realidade que afeta aos países de terceiro mundo, como o nosso Brasil.

No comércio, Papai Noel foi cooptado pelo capitalismo e só realiza os sonhos do menino de família abastada. A Ceia, tipo Instagram, só na mesa de quem pode.

Para essa grande maioria de brasileiros, dezembro é um mês como outro qualquer, ou melhor dizendo, é o mês da injustiça, da falta de solidariedade escrachada, do abismo social e da ausência de esperança.

Com a crise, essa propulsão de horrores se agravou ainda mais. Dobrou a quantidade de pedintes no sinal. A população de rua, do jeito que cresce, certamente inaugurará uma nova espécie de condomínio. A desigualdade social atingiu números vexaminosos.

E o que temos com isso? (Perguntaria o incauto abastardo) Temos porque se continuarmos a viver em um país com esse nível absurdo de injustiça social, cada vez mais teremos que construir muros ainda mais altos, carros com a blindagem mais espessa e conviver com a insegurança e com a liberdade de ir e vir relativizada.

Como a célebre figura do cachorro correndo atrás do rabo, quanto mais viramos as costas para realidade mais ela toca em nosso traseiro.

É preciso ter coragem para rir e confraternizar-se em tempos assim. Mas é preciso também ter perseverança e crença em uma vida melhor. Voltando ao começo desse texto, do mesmo modo que temos que refletir e criar, ainda que em pequenos frascos, antídotos contra esses horrores, precisamos encher nossos lares de alegria, muita amor e paz, que acabam sendo combustíveis para todo bom recomeço.

Desejo a todos que no próximo ano vocês tenham permanências (das boas coisas), trocas (daquilo que está ruim) e aquisições (de bons projetos)!

Autor: Jansen Oliveira