No magnífico poema de Carlos Drummond de Andrade cujo título desse artigo foi inspirado, o poeta reclama da mortalidade das mães. Inconformado com a breve passagem delas pela terra, em um determinado trecho do poema, bravo, diz:

“Fosse eu rei do mundo
Baixava uma lei:
Mãe não morre nunca”

O bardo com seu dom de captar, em prosas e versos, os mais diversos dos nossos sentimentos arrestou mais uma vez um desses que atinge com unanimidade a alma humana, qual seja, da perda da mãe.

Não há como não se emocionar ao ler as palavras de Drummond.

Mas, no alto da minha ousadia venho aqui discordar do mais influente poeta brasileiro num ponto: Mães não morrem.

Digo isso por experiência, órfão de mãe já há algum tempo tenho a minha muito presente no meu cotidiano. Depois de quase dez anos de sua morte ainda me pego lançando mão do celular para avisá-la da minha chegada aos lugares, hábito da época em que era viva.

Próximo ao cometer algum deslize, automaticamente minha mente me faz avaliar se ela aprovaria aquele ato. Às vezes ouço os seus gritos com meu nome me pegando em “flagrante delito”: “JANSEN”.

Nas conquistas, sempre lembro da satisfação que ela teria se ao meu lado estivesse. Ainda sou movido pela busca de vitórias em homenagem a ela.

A questão é que ela está no meu pensamento, nos meus sentimentos, no meu modo de agir, servindo de parâmetro e como ”freio moral”.

A melhor forma de mim é graças a ela. A pior, fui eu que desenvolvi teimosamente a despeito de seus ensinamentos.
Óbvio que a falta do calor dos seus braços é sentida. Do arquear de uma de suas sobrancelhas quando brava.
Contudo, com o tempo você vai tentando suprir a ausência física com aquela que não morre nunca, do sentimento eterno do amor de mãe.

E é assim que tenho certeza que é com os outros, aqueles que como eu estão emprenhados de suas mães, que apesar de sua falta material conseguem ainda nos guiar pelas estradas sombrias da vida.
Assim poeta, deixo meu recado:

Sossega sua alma
Aplaca sua revolta
Você não disse?
“Mãe não tem limite
É tempo sem hora
Luz que não apaga”
Ela está aqui, aí, presente
Pois, mãe é para sempre.

Autor: Jansen Oliveira
Consultor jurídico da SRRJ