O SBR2018 vai ter uma programação inteiramente voltada para o Médico de Família, uma das iniciativas estratégicas para aproximar as especialidades e otimizar o fluxo de atendimento. Lorraine Santiago, especialista da área, falou sobre a importância dessa maior proximidade.

Onde você acha que estamos hoje em termos de interação Reumatologia – Medicina da Família?

Embora acredite que tenha melhorado a partir do investimento na qualificação da atenção primária na cidade do Rio, a comunicação ainda precisa melhorar. Ainda está muito aquém do esperado para uma especialidade com que os médicos de famílias precisam dialogar, tendo em vista a grande quantidade de atendimentos reumatológicos que temos em nosso dia a dia.

Quais as principais dificuldades que você encontra na comunicação com a nossa especialidade?

– Falta de respostas às contra-referências;
– Interlocução feita somente pelo paciente, sem nada escrito ou documentado sobre diagnóstico e/ou conduta;
– Necessidades de transcrição de exames não disponíveis na rede ou que não levem em consideração os conceitos de prevenção quaternária.

No que você acha que as sociedades de Reumatologia podem ajudar a melhorar o fluxo dos pacientes?

– Elaborar protocolos para atenção primária (tal como o protocolo de Chickungunya);
– Promoção de encontros e capacitações;
– Respostas de forma clara e legível às contra-referências (sei que nós, médicos de família, também precisamos fazer uma referência detalhada);
– Quando a comunicação não for por meio de referência e contra-referência, que seja por bilhetes, cartas ou ligações, a fim de não haver mal-entendidos, ou mesmo para corrigir possíveis condutas equivocadas. É importante que o mensageiro não seja somente o paciente, pois este tem as interpretações mais diversas possíveis das informações recebidas;
– Descrever de forma detalhada a indicação da solicitação de exames, principalmente exames de imagem.

Você teve conhecimento de que no próximo SBR2018 haverá um curso voltado para o médico da família. O que você achou do programa?

Achei bastante enriquecedor, principalmente por estreitar os laços dessas duas especialidades tão vinculadas dentro das práticas, mas que não se falam muito. Achei legal a presença de médicos de família nas mesas dando um enfoque mais sistêmico ao processo saúde -doença.

Quando conseguimos dialogar com clareza sobre diagnóstico e conduta conseguimos uma parceria melhor no cuidado. Evitamos também novos encaminhamentos desnecessários.

Autora: Dra. Lorraine Santiago Rego
Médica de família e comunidade
Mestre em saúde coletiva com ênfase em atenção primária à saúde