A obsessão pela beleza é assunto antigo entre os seres humanos. Há quem sustente que nos outros animais a vaidade também deixa marcas pujantes, porém nada supera a veia narcísica que cultivamos. Mesmo que de vez em quando o pavão exiba sua vasta calda, nós, humanos, ultrapassamos todos os limites admissíveis somente para ostentar um rosto, um cabelo, um peito, uma bunda ou seja um corpo “perfeito”.

 

De olho nesse TOB (Transtorno Obsessivo pela Beleza) – sorry, acabei de inventar esse termo – o mercado oferece produtos e serviços que a cada dia fisgam um incauto ou uma incauta insatisfeita com sua estampa. Assim, as lojas de vestuário, lingeries, maquiagens, perfumes, cremes e afins abocanham uma parte significativa da economia.

 

O sucesso dos produtos despertou já de há muito os prestadores de serviços que também entraram na disputa pelo belo oferecendo cabelos, unhas e sobrancelhas maravilhosas.

 

A percepção da voracidade consumista pelo supérfluo captou outros grupos de profissionais dedicados a transformar o feio em bonito.

 

Assim, surgiu a medicina estética, que com seus aparelhos revolucionários são capazes de até fazer nascer cabelo (estou pensando seriamente em utilizar esse serviço – #soquenão). Não só os carecas foram beneficiados, aliás bem antes dos “poucas-telhas” a mulherada já entregava seu corpo às máquinas mágicas de fazer sumir celulites, estrias, rugas etc.

 

A coisa evoluiu de uma maneira tão expressiva que há quem sustente que remover cravos e espinhas é mais lucrativo do que arrancar um dente ciso.

 

Críticas e opiniões ranzinzas à parte, fato é que todos têm o direito de fazer o que bem entender e empregar seu dinheiro naquilo que lhe dá prazer, ainda que seja aos olhos comuns uma excentricidade.

 

O que vale para o consumidor vale também para o fornecedor, sagaz aos apelos do comércio, que vende serviço de embelezamento.

 

Contudo, o afã de se tornar uma Afrodite ou um Adônis faz com que algumas pessoas, bastante na verdade, negligenciem alguns cuidados necessários. De uns tempos para cá, vimos tomando conhecimento de inúmeros casos de procedimentos estéticos que deram errado. Previsto, pois, com o aumento da demanda é natural que apareçam os erros, notadamente por falta da devida experiência médica. Ocorre que os insucessos desses procedimentos vêm não somente lesionando pessoas, como pondo fim a vida dos pacientes.

 

Para piorar o quadro, os últimos episódios de clientes que morreram ao se submeter a um tratamento estético ocorreram pelas mãos de falsos médicos. Pessoas que sem qualquer tipo de escrúpulo seduzem o consumidor com preços e modo de pagamento atrativos.

 

As vítimas, cegas pela vaidade, abrem mão de pequenos detalhes que já revelariam os farsantes, tais como:  pesquisa da clínica ou profissional na internet, ou ainda no próprio Conselho Regional de Medicina.

 

Saber mais sobre o próprio procedimento a que está disposto a se submeter também constitui o rol de precauções que devemos ter.

 

Mas se existe um desleixo do consumidor, o mesmo não acontece com os charlatões de plantão, que à despeito de todas as implicações cíveis e penais, severas, inclusive, tal qual o coiote à espreita da vítima fareja a oportunidade de dar o golpe fatal.

 

O preço pago por um determinado resultado estético, por mais barato que seja, pode sair mais caro do que se pensa.

 

Desconfie sempre de todas as facilidades que o marketing pode levar até você e principalmente não dispense a cautela indispensável quando for contratar um serviço, especialmente quando envolver seu corpo, porque o resultado pode ser irreversível.

 

Talvez o caminho a trilhar seja o da aceitação, mas de qualquer maneira, não aposte em pessoas desqualificadas, pois, para essa gente, para esses criminosos, no bumbum dos outros é refresco.

 

Autor: Dr. Jansen Oliveira

Consultor jurídico da SRRJ