A superexposição na internet atingiu a área de saúde em cheio. Nas redes sociais, pipocam “posts” de variadas abordagens que se chocam abruptamente com os Códigos de éticas de diversas profissões. Assim, o Conselhos Federal de Odontologia (CFO), Nutricionistas (CFN) e de Medicina (CFM) vêm enfrentando uma enxurrada de irregularidades que proliferam na internet dia a dia.

Fotos de antes e depois, propagandas com finalidades para angariar clientes, e receitas milagrosas de beleza são apenas a ponta do iceberg do desrespeito aos preceitos éticos e morais de cada um dos estatutos das áreas citadas.
Vídeos também fazem parte de uma receita de concorrência desleal e servem ainda para ludibriar pacientes/clientes.
Nestes novos tempos, o que restou do juramento Hipócrates? A comercialização de profissões cujos vieses ideológico e social deveriam ser motes de condutas, mas ao invés disso, percebemos uma crescente onda monetária na área de humanas, notadamente na seara médica.

Como em um jogo onde juntamos a fome com a vontade de comer, a ambição desmedida de alguns profissionais vem a alarmando seus próprios pares. A ditadura da beleza é artífice principal para essa equação funcionar. Pacientes não resistem aos “tratamentos milagrosos”, que em um passe de mágica são capazes de construir outro rosto, fazer aparecer outros seios e sumir com um significativo percentual de gordura.
Com efeito, as propagandas enganosas e antiéticas também têm provocado danos muitas vezes irreversíveis, culminando com o término de uma vida ou defeitos estéticos irremediáveis.
Por tudo isso, uma pergunta faz-se necessária: O que fazer?

Por parte do paciente, alguns movimentos, ao meu ver, devem ser tomados, sem antes prescindir talvez até de uma avaliação psicológica, considerando essa dose narcísica exagerada que vimos vivendo nos últimos tempos. Outra, de cunho preventivo, seguindo a própria orientação dos Conselhos de classe, qual seja, de verificar a identidade do médico, do dentista ou do nutricionista. Há atualmente uma enorme facilidade para averiguar determinada pessoa, principalmente quando falamos de profissionais da área de saúde, onde o cadastro é disponibilizado por qualquer dessas instituições. Como se diz a gíria: “dá um google” que você terá bastante informação.

Verificar junto ao site do tribunal de justiça (aqui no Rio de Janeiro o site é o www.tjrj.gov.br), pesquisar o nome do médico e afins, se estão respondendo a processos cíveis e criminais. Por meio de uma simples “navegada” há boas chances de se obter uma informação relevante.

Outra forma de perceber um bom profissional é desconfiando se as suas propagandas desafiam as regras estabelecidas por seus pares em um, por exemplo, estatuto de ética, como a que citamos no começo deste texto.
Em caso de dano, é importante dar notícia à policia, bem como denunciar ao conselho de classe correspondente, sem prejuízo das ações judiciais pertinentes.

Não se fazer de rogado é fundamental para a manutenção de uma medicina “limpa”. E neste diapasão, é preciso cortar na carne muitas vezes, e descortinar o colega infrator, pois práticas ilegais acabam por macular uma classe inteira.

Em meio a essa coqueluche de exposições, hashtags acompanham cada foto e vídeo como marcando todas as tribos. Nessa linha, precisamos fazer um esforço, ainda que não sejamos infalíveis, por uma conduta que não comprometa a lisura de nossas funções, adicionando a todos esses posts desqualificados uma das mais importantes hashtags da sociedade: #ética.

Autor: Dr. Jansen Oliveira
Consultor jurídico da SRRJ