A granulomatose com poliangiíte (GPA) é uma vasculite de pequenos vasos associada com envolvimento renal em até 70% dos casos. Dentre estes, 20% a 25% evoluem para estágio final de doença renal. O transplante é o tratamento ideal para estes pacientes, entretanto o benefício de sobrevida deste tratamento nos pacientes com doença renal terminal atribuída à GPA é desconhecido.

A granulomatose com poliangiíte (GPA) é uma vasculite de pequenos vasos associada com envolvimento renal em até 70% dos casos. Dentre estes, 20% a 25% evoluem para estágio final de doença renal. O transplante é o tratamento ideal para estes pacientes, entretanto o benefício de sobrevida deste tratamento nos pacientes com doença renal terminal atribuída à GPA é desconhecido. Neste trabalho foram identificados pacientes do Sistema de Dados Renais dos Estados Unidos com acometimento renal em estágio final devido à GPA, entre 1995 e 2014. A análise foi restringida aos indivíduos em lista de espera para avaliar o impacto do transplante sobre a mortalidade. Os pacientes foram acompanhados até sua morte ou até o final do seguimento. Os autores compararam o risco relativo (RR) de todas as causas e causas específicas de mortalidade em pacientes que receberam um transplante versus não transplantados usando um modelo de regressão logística combinada com o transplante como uma exposição variável no tempo.

Durante o transcorrer do estudo, 1525 pacientes foram colocados em lista de espera e 946 receberam um transplante renal. Nestes que receberam um transplante renal, houve uma redução de 70% no risco de mortalidade por todas as causas em análises multivariáveis ajustadas, amplamente atribuída a uma redução de 90% no risco de morte por doença cardiovascular.

O estudo concluiu que o transplante renal está associado a uma redução significativa na mortalidade por todas as causas entre os pacientes com doença renal terminal atribuída à GPA, em grande parte devido a uma diminuição no risco de morte por doença cardiovascular. Os autores sugerem que o encaminhamento imediato para transplante é essencial para otimizar os resultados para esta população de pacientes.

Referência: Wallace ZS, et al.Ann Rheum Dis 2018;77:1333-1338
Autor: Dr. Carlos P. Capistrano

Reumatologista da SRRJ