O lúpus eritematoso sistêmico é uma doença autoimune sistêmica e crônica. O termo sistêmico significa que pode afetar várias partes do corpo. A palavra autoimune representa um desequilíbrio no sistema de defesa, o qual identifica as células normais da pessoa como estranhas, atacando-as e gerando inflamação em diversos órgãos do corpo.
O lúpus da criança e do adolescente representa cerca de 20% de todos os casos de lúpus. Tem como sua principal peculiaridade o fato de se iniciar e evoluir com sintomas mais graves que o lúpus no adulto, sobretudo no que diz respeito ao comprometimento renal, daí a importância do diagnóstico e tratamento precoces.
Além de a exposição solar acelerar o envelhecimento e aumentar o risco de câncer de pele, ainda pode desencadear a piora ou reativação do lúpus e também causar ou agravar a inflamação de órgãos internos. Há também evidências científicas de que a proteção solar adequada e regular reduz a frequência de inflamação renal e a necessidade de uso de medicamentos imunossupressores.
O surgimento de lesões fotossensíveis pode levar várias semanas após a exposição à radiação ultravioleta, e por isto pode ser difícil reconhecer o impacto negativo da exposição solar sobre a doença. Sendo assim, é muito importante que os pacientes com lúpus e outras doenças fotossensíveis (como a dermatomiosite juvenil) sejam desencorajados de obter o almejado bronzeado e as “marquinhas” de biquíni, bem como orientados a cada consulta sobre a adequada proteção solar, através do uso de roupas protetoras, de protetor solar de amplo espectro, de óculos escuros, e evitar atividades em horários de pico de radiação ultravioleta.
É necessário o uso diário de protetores solares tópicos com fator de proteção solar (FPS) mínimo de 50 em todas as partes expostas do corpo, aplicado 30 minutos antes da exposição, para que o protetor tenha tempo de penetrar na pele e secar. Num dia de sol ou de muito calor, o protetor solar deve ser reaplicado a cada 2 horas e, também após tomar banho ou nadar. A presença de vermelhidão na pele não é um indicativo seguro de quando reaplicar o produto, porque a lesão de pele ocorre bem antes de o rubor ser visível. Ficar na sombra também não é seguro, devido à reflexão de raios UV a partir de água, areia, concreto e neve. E, apesar de os “cariocas não gostarem de dias nublados”, os raios UV atravessam as nuvens facilmente, e por isto, o protetor solar também precisa ser usado quando não está sol!
Também é importante vestir roupas que protejam o corpo, como por exemplo chapéus de aba larga e roupas de manga comprida, idealmente de tecidos escuros, feitos de algodão, poliéster ou jeans, ao invés de malhas.
As lâmpadas fluorescentes, presentes nas residências e escolas, também refletem baixos níveis de radiação ultravioleta, mas a exposição constante e por longos períodos de tempo, resulta em dano cumulativo. Os vidros e janelas também são permeáveis aos raios ultravioleta, então a exposição solar durante uma longa viagem de carro, por exemplo, pode ser prejudicial, sendo necessário o uso de roupas protetoras, do protetor solar e a cobertura destes vidros e janelas.
E, em se falando de verão, mas não exclusivamente nesta estação ensolarada, faz- se importante também se proteger contra os mosquitos e as doenças por ele transmitidas. A aplicação de produtos contendo protetor solar e repelente pode reduzir a eficácia do protetor solar e aumentar a absorção transdérmica do repelente. Logo, recomendamos o uso dos produtos separados, aplicando primeiro o protetor solar, e posteriormente o repelente.

REFERÊNCIAS
1 – Vila LM, Mayor AM, Valentin AH, et al. Association of sunlight exposure and photoprotection measures with clinical outcome in systemic lupus erythematosus. P R Health Sci J 1999; 18: 89–94.
2 – Kuhn A, Ruland V, and Bonsmann G. Photosensitivity, phototesting, and photoprotection in cutaneous lupus erythematosus. Lupus 2010; 19, 1036–46.
3 – Julian E, Palestro AM, Thomas JA. Pediatric Sunscreen and Sun Safety
Guidelines. Clin Pediatr 2015; 54(12): 1133–40.
4 – Kreuter A, Percy L. Relevant new insights into the effects of photoprotection in cutaneous lupus erythematosus. Exp Dermatol 2014; 23:712–3.

Autora: Dra. Adriana Rodrigues Fonseca
Reumatologista Pediátrica da SRRJ