O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença crônica, autoimune e, como o seu nome sugere, sistêmica. Clinicamente, a doença abrange um gama de manifestações que variam de condições leves até severas. O tratamento ideal do LES consiste em conseguir um rápido e persistente controle da atividade de doença. As drogas antimaláricas têm sido usadas no LES desde o século passado. No início, sua adoção se deu por conta de sua eficácia nas manifestações cutâneas, mas em 2014 o seu uso foi endossado pelas recomendações do Treat-to-Target. A administração oral de Cloroquina (CQ) ou Hidroxicloroquina (HCQ) é frequentemente a primeira linha de tratamento do LES, principalmente para as manifestações de leve a moderada. Este estudo teve como objetivo descrever o perfil de segurança e as razões para suspenção dos antimaláricos nos pacientes com LES e Lúpus Eritematoso Discóide (LED), enfocando a toxicidade ocular.
Foram analisados dados clínicos de 845 pacientes com LES e LED. O uso de antimaláricos ocorria em 59% destes pacientes, sendo 1.4% CQ, 88.5% HCQ e 10.1% ambos. A duração média da terapia foi de 82.5 ± 77.4 meses. Pelo menos um efeito colateral foi relatado por 19.4% dos pacientes, levando à suspenção temporária ou permanente em 9.1% e 10.3% dos casos respectivamente. Dos pacientes em uso de HCQ, 19.3% apresentaram efeitos colaterais, o mesmo se dando em 8.6% dos que estavam em uso de CQ. Em 55.1% dos casos, o evento adverso foi leve ou moderado. Alterações oftalmológicas foram relatadas por 8.5%, mas confirmadas pelo exame oftalmológico em 5.5% dos casos. As alterações da retina foram associadas à idade, duração da doença e duração da terapia antimalárica, mas não à dose, comorbidades ou à nefrite lúpica.
Este é o maior estudo longitudinal unicêntrico confirmando o bom perfil de segurança dos antimaláricos em pacientes com LES e LED. Os principais eventos adversos durante a terapia foram leves ou moderados, mas maculopatia, relatada em um baixo percentual de pacientes, continua a ser a principal causa de abstinência do tratamento. Os autores concluem que os antimaláricos, tanto HCQ como CQ, têm um bom perfil de segurança, tanto em monoterapia como em combinação com outras drogas.

Referência: Spinelli,FR et al. Lupus (2018)27, 1616-1623

Autor: Dr. Carlos P. Capistrano
Reumatologista da SRRJ