Estamos ainda sentindo as sequelas do fechamento de uma das eleições mais disputadas por eleitores.

Em uma polarização insuflada pelas redes sociais, acusações de toda ordem, xingamentos, notícias falsas e uma não tão surpreendente falta de respeito contaminaram os relacionamentos, em um mar de ódio que desaguou no afastamento de casais, pais e filhos, irmãos, primos, tias, amigos etc.

Essa “disputa eleitoral” fez com que as pessoas, a fórceps, tentassem impor seu ideal e transmudar a opinião alheia.

À medida que a “campanha” se desenvolvia, os ânimos, cada vez mais exaltados, desnudavam pensamentos inconcebíveis ao outro. Ele é comunista! Ele é a favor da tortura! Quem vota em corrupto é mau caráter! Quem vota em homofóbico é preconceituoso!

Aos poucos, descobrimos que quem está ao nosso lado tem ideários completamente antagônicos sobre certas searas. Como eu nunca percebi isso? Íamos ao Maracanã juntos… Ele(a) sempre quebrou meus galhos no trabalho! Como eu pude me apaixonar por uma pessoa assim?

Uma série de afinidades foram relativizadas e colocadas no porão do esquecimento. Tudo em favor de um voto, de uma escolha política.

É de fato decepcionante. Não pelo contraditório ou pela diferença de concepção, mas o quanto mal estamos tratando nossos pares, a maneira grosseira com que colocamos nossas ideias, da forma ultrajante que ditamos a nossa verdade.

A eleição acabou, no entanto, os efeitos colaterais provocados pela substância da intolerância perdurará por um longo período ainda.

Espero que a reflexão, antídoto para o restabelecimento dos amores destroçados por essa caminhada eleitoral, aconteça o mais breve possível, e que as pessoas voltem a conviver com a velha e palatável “harmonia”.

Autor: Dr. Jansen Oliveira
Consultor jurídico da SRRJ