Para os que não puderam estar na jornada de posse, aproveitarei este espaço para contar uma história: a história de como cheguei até aqui.

 

Me baseei nas histórias que escutei ao longo da vida, do meu avô, meu pai, meus staffs e vários colegas reumatologistas; e, como não podia ser diferente, no livro Breve História da Reumatologia Brasileira do Prof. Hilton Seda.

 

Tudo começou em 1943, quando meu avô, Waldemar Bianchi, por não conseguir ir para a Itália ser cirurgião na segunda guerra, acabou indo para a Clínica Maio com bolsa de estudos, onde permaneceu até 1947.

 

Nessa época ele teve contato com Philip Hech e seu grupo, que acabou sendo uns dos grupos descobridores da cortisona e posteriormente recebeu o prêmio Nobel de medicina. Isso deve ter sido uma coisa de louco, imaginem a mudança de conduta que surgiu após uso do corticoide nas diversas áreas da medicina.

 

Ao voltar ao Brasil, encantando com a cortisona, ele foi o principal entusiasta para fundar a SBR junto com os médicos Herrera Ramos, Pedro Nava, Israel Bonomo, Décio Olinto no dia 15 de julho de 1949, no anfiteatro da 4a enfermaria de clínica médica da Santa Casa. Enfermaria que depois passaria a ser chefiada pelo Dr. Clementino Fraga Filho. Gostaria que observassem que esta data voltaria a ser muito especial para a minha família.

 

Os tempos eram outros, e muitas das reuniões eram feitas nas suas próprias casas, inclusive algumas atas foram redigidas pela minha avó Siva, que estava sentada na primeira fila da plateia na última jornada.

 

O Vô, pelo que sempre escutei, foi um grande vibrador, e conseguiu aumentar e difundir nossa especialidade. Foi, por exemplo, em sua gestão que se criou a Revista Brasileira de Reumatologia. (Rev Bras Reumatol, v. 47, n.5, p. 319-320, set/out, 2007)

 

Depois, dentro da família Bianchi, tivemos meu pai, Washington Bianchi, que presenciou como criança o crescimento da reumatologia brasileira, e após se formar como médico especializou-se como reumatologista no ano de 1978 na Jornada Brasileira de Reumatologia na cidade de Caldas Novas – GO. Passou a ter papel ativo na SBR, principalmente na gestão do Dr. Flamarion Dutra de 1992 a 94 (e desde então segue participando com diferentes cargos), e na nossa SRRJ onde foi o presidente na gestão 1994/96.

 

Eu nasci em 2 de janeiro de 1981 e tenho uma irmã, Ticiana, e um irmão, Breno, que nasceu no dia 15 de julho de 1984, no dia que a SBR completava 35 anos de fundação.

 

Da década de 90, quando já me entendia como gente, me lembro bem das viagens para congressos brasileiros e regionais. Lembro de algumas jornadas como a de Volta Redonda, Petrópolis e Juiz de Fora, onde podíamos ficar brincando pelos hotéis.

 

Nessa época, além de participar e bagunçar os eventos de reumatologia, já fazia outra atividade que viria a ser uma das grandes paixões da minha vida, a vela. E começava a disputar campeonatos nacionais e internacionais. Pude ainda aproveitar o convívio com o meu avô até 1996, quando sofreu um acidente automobilístico e posteriormente veio a falecer em 1998.

 

Em 1999, ano que entrei na faculdade de medicina Souza Marques, vi o meu pai criar a pós-graduação em Reumatologia da Santa Casa, e passei de cara a gostar de clínica médica. Já no quarto ano, rodando no serviço de reumatologia da Santa Casa, tendo como professores de reumatologia os mestres Flamarion Dutra, Noci Leite, Joaquim Nava, José Verztman e o meu pai, passei a entender que essa seria a área da medicina a seguir.

 

Ainda no quinto ano da faculdade fui para os Pan-Americanos de Santo Domingo em 2003 e conquistei medalha de ouro – foi incrível! O ano seguinte me marcou pela minha formatura e pelo congresso brasileiro de 2004, quanto Geraldo Castelar era o presidente do congresso, e foi o primeiro em que participei de forma mais acadêmica, me lembro bastante quando a Cecilia e a Blanca passaram para avaliar o pôster sobre o trabalho que fizemos entre 2003 e 2004, dosando Anti-CCP em pacientes com hanseníase tipo 2, e elas foram bacanas e nos deram menção honrosa. Obrigado às duas.

 

Fiz residência de clínica médica no hospital Federal de Ipanema, e em 2006 por estar em búzios velejando, acabei conhecendo a Juliana (Ju), que segue me aturando, atualmente como esposa. Comecei a residência de reumatologia na UERJ em 2008, com a Professora Elisa Albuquerque, Geraldo Castelar, Evandro Klumb, Roger Levy, Francinne Machado e Verônica Vilela. Ajudavam ainda o Marcelo Pacheco e o Bruno Schau. Era duro, dizem que ainda é, mas como todos vou defender que “na minha época não era tão fácil como hoje” …. Mesmo assim conquistei o meu primeiro título mundial na vela – classe snipe. E se me perguntarem como, respondo que não sei. Acho que era porque eu acordava cedo. Tenho certeza que disso, e a Dra. Giselli Maretti vai concordar.

 

De 2010 para cá acho que me tornei adulto, mas não tenho certeza disso ainda, me casei e passei a trabalhar mais, voltei à Santa Casa, passei a ficar mais tempo no consultório e no Copa D’Or. Para não ficar muito fácil em 2012 comecei a ser professor de reumatologia da faculdade Gama Filho e decidi fazer uma campanha olímpica em um barco novo (na classe 49er) para tentar disputar os jogos olímpicos do Rio 2016.

 

Já em 2013 conquistei o segundo título mundial na classe snipe e tivemos o nosso primeiro filho, o Fred, a melhor coisa da vida- momento 1.

 

Foram três anos corridos, trabalho, muitas viagens e filho pequeno, e se alguém vier falar que quem cuida de crianças é a mãe, pode perguntar para a senhora Ju se eu não ajudava bastante.

 

No final de 2015, acabou que não consegui me classificar para as olimpíadas, mas em março de 2016 tivemos a Diana, a melhor coisa da vida – momento 2.

 

De lá para cá ficou mais calmo. Então o Leonardo Romeiro me chamou para compor a chapa como vice-presidente da Sociedade – a resposta? Claro, era uma honra.

 

No início deste ano o José Verztman me chamou para ajudar o Carlos e a Morgana na comissão científica do Brasileiro, e que fique registrado que eles trabalharam muito, mas muito mais mesmo, e o resultado do congresso foi espetacular, como imagino que todos concordam. Depois do congresso o Leonardo explicou que por motivos pessoais não poderia assumir a presidência, e aqui estou eu, para minha sorte, com uma super-equipe, em parte escolhida pelo Leonardo, em parte por mim, aproveitando muitas pessoas que ajudaram à Selma a realizar esse ótimo trabalho.

 

Serei eu como presidente, Débora  Aguiar como vice presidente; Morgana Ohira como secretária geral e Giselle Maretti como primeira secretária; Carlo Andrade como diretor científico; Marcelo Pacheco como tesoureiro e Luís Felipe Dipe como Segundo tesoureiro; Flávio Nery com diretor de interior, Ingrid Moss diretora de Comunicação e Mídias; Mirhelen Abreu como editora do Boletim; além de muitos outros nas estruturas social e de mídia que a Selma criou.

 

Nosso foco principal inicialmente será o fortalecimento dos benefícios aos associados, mantendo uma comunicação clara e direta. A Selma realmente soube explorar a comunicação direta assim como os principais líderes da atualidade. Tentarei me equiparar.

 

O próximo evento da SRRJ será o curso para residentes nos dias 9 e 10 de fevereiro, seguido pela jornada de Niterói em abril, e o ReumaRio em julho. No segundo semestre faremos uma jornada no interior, ainda sem data e local definidos, com o objetivo de integrar os associados, trazendo os mais jovens para dentro da sociedade. Vocês vão gostar.

 

O nosso clube do reumatismo irá voltar para o Hotel Flórida, que foi a sua casa desde a migração da antiga sede na Sociedade de Medicina e Cirurgia na rua Mende Sá.

 

Sobre o Boletim, destaco que o formato estabelecido na gestão da Selma, com a Ingrid e Mirhelen ficou ótimo. Nosso objetivo será manter esse trabalho incrível.

 

Junto com o Marcelo estamos com a ideia de profissionalizar a gestão da sociedade, o que poderá reduzir alguns custos e otimizar as correspondências com os senhores.

 

Na próxima newsletter falarei menos do passado e mais do futuro, mas realmente acho muito bom lembrar como chegamos até aqui. Espero poder contar com todos e desempenhar um trabalho à altura dos que me precederam.

 

Saudações

 

Dante Bianchi

Presidente da SRRJ biênio 2019-2020