Maria Clara e Manuela têm hoje 9 anos.

Este será um Natal diferente.

Até 2017 conseguimos um feito heroico: Papai Noel em casa. Mas não contratado, profissionalizado, não. A cada ano um “coitado” da família era submetido a temperaturas desérticas dentro de uma roupa de veludo, e devidamente maquiado e vestido ainda tinha que atuar e contar com a colaboração de todos para que sua identidade não fosse descoberta.

Em 2017 foi.

As meninas descobriram que o Papai Noel tão esperado era na verdade meu tio. Na hora, por conta de haver crianças menores no local que não perceberam, tentamos abafar o alvoroço da melhor forma possível, e enquanto meu tio se aliviava da barba colando no suor misturado com pasta d’água, chamei as duas para uma conversa particular e usei de toda a psicologia que tinha estudado para momentos como esse. Expliquei que Papai Noel era um só, que era mais uma imagem ou ideia, que obviamente não poderia estar em todos os lugares ao mesmo tempo, que quem comprava os presentes eram os pais, e que a magia da coisa toda estava no fato de perpetuarmos esse espírito. Aproveitei para dizer que agora elas faziam parte dessa “sociedade secreta do Papai Noel”, e tinham o dever de manter vivo o espírito do Natal e por isso não deviam contar a quem acredita em Papai Noel.

Lindo? Não. Foi traumático. Me olhavam como se eu fosse uma traidora. E nem tinham aberto os presentes. Como eu podia tê-las enganado esse tempo todo se o que mais prezamos na nossa relação é a confiança. Choraram um pouco. Eu chorei muito depois. E então, como um passe de mágicas natalino, começaram a fazer planos para o próximo ano, que iriam ajudar a maquiar a “próxima vítima”, que queriam fantasias de duendes ajudantes, que isso e aquilo. Nos abraçamos e passamos uma linda noite de Natal em família.

Em 2018, desafios diferentes: mamãe agora será o Papai Noel! Já temos vários planos, e novamente as apostas estão abertas para qual será a próxima criança a desvendar o mistério e passar para o “outro lado da força”. Espero não decepcionar e contar com as minhas mais novas ajudantes.

Que nesse Natal possamos, com os corações cheios de amor e esperança, iluminar os nossos lares, hospitais, a nossa cidade, o nosso país e o mundo inteiro. Que possamos todos fazer parte da “sociedade secreta do Papai Noel”, distribuindo presentes como amor, fraternidade, compaixão, perdão e esperança para aqueles que precisam. O resto pode até ser fantasia de criança, mas o sentimento deve ser exatamente como o delas: simples e verdadeiro.

A SRRJ deseja a todos um Natal de luz e paz!

Ingrid Moss

Diretora de comunicação e mídias da SRRJ