As festas de final de ano são as mais aguardadas pelos brasileiros, com exceção do Carnaval, creio eu.

 

Uma espécie de catarse toma conta de grande parte da sociedade pelos mais diversos motivos.

 

A crença na virada do ano, entre outras coisas, ajuda na organização profissional e pessoal, estabelecendo um marco para as metas que criamos (ou deveríamos criar) ao longo do período.

 

As confraternizações servem também para zerar, passar uma régua naquilo que ficou pendente. É a oportunidade de fazer ou refazer. De encontrar o novo e alcançar o objetivo traçado.

 

Amores, ainda por conta do espírito natalino, são reatados. Amizades são estabelecidas e novas brotam na velocidade do entusiasmo do réveillon.

 

Dentre muitas reuniões, encontros e trocas de presentes há dentre os afagos e declarações saldos muitas vezes negativos por conta dos excessos.

 

Obviamente, nenhum de nós, eu e o leitor ou leitora, passamos por situação semelhante, mas quem nunca viu ou ouviu dizer sobre episódios em que a boquinha da garrafa foi a sensação? Que quadradinhos (ainda que octógonos) foram feitos na velocidade do “batidão”? Que quadris não conseguiram ficar inertes ao som de Anitta?

 

Esses são apenas minúsculos exemplos da imensidão de micos colecionados nas reuniões de família, cujos parentes não se viam há tempos; nos encontros das empresas etc.

 

Facebook e Instagram são albergues de fotos comprometedoras.

 

Esse texto não quer tratar da cara feia da sogra quando o genro carinhosamente faz declarações etílicas. Tampouco fala sobre a inconveniência congênita do cunhado. Aquele olhar 43 para o dorso da amiga da esposa também não é o centro dessa escrita.

 

Aqui, a abordagem está adstrita à seara profissional. Àquelas de encerramento de final de ano quando todo staff é reunido, inclusive a chefia.

 

Estamos vivendo uma nova época nas relações trabalhistas, notadamente desde a recentíssima reforma que determinou uma tratativa mais flexível e sob um certo ponto de vista menos onerosa para o empregador. Neste aspecto, apesar de ainda termos a grande maioria de trabalhadores capitulados pelo regime de CLT, já vislumbramos uma parcela significativa dessas novas relações trabalhistas.

 

Ainda na relação tradicional de trabalho, ou seja, pelo regime da CLT, a responsabilidade comportamental sempre foi e será recomendada aos empregados. Salvo se nessas reuniões festivas o empregado tiver uma conduta que provoque algum dano efetivo à empresa, fica muito difícil enquadra-lo nos requisitos que podem levar a uma demissão por justa causa. No entanto, a imagem deve ser motivo de atenção nos novos contratos de trabalho, cuja rescisão é menos burocrática para ambas partes. O colaborador ou prestador de serviço precisa indubitavelmente ter um comportamento que não comprometa a sua relação de trabalho, caso contrário demissões, desligamentos e rescisões podem ocorrer. Foi o caso ocorrido no começo deste ano, em janeiro. Um CEO da empresa Salesforce fora demitido porque na confraternização de fim de ano de sua empresa teve a imprudente ideia de se fantasiar de um meme frequente do Whatsapp que tem pênis gigante, intitulado de “negão do Whatsapp”. O empregador não comentou a demissão de seu funcionário e, certamente a discussão sobre os direitos a pagar e receber foram parar na justiça. Fato é que, injusta ou não, a brincadeira poderia ter ficado para outro momento, fora da empresa e se possível longe da lente das redes sociais.

 

Divirta-se com moderação, pois você pode entrar o ano de um jeito negativo. Desejo a todos um excelente réveillon, e que o próximo ano seja de prosperidade e saúde em abundância. E fique de olhos bem abertos: o patrão “tá” vendo…

 

Autor: Dr. Jansen Oliveira – Consultor jurídico da SRRJ