A Doença de Still do adulto é uma desordem inflamatória sistêmica, rara, de etiologia desconhecida, caracterizada por febre alta, rash cutâneo evanescente e poliartrite, sendo causa frequente de febre de origem obscura no adulto. Além destes sintomas clássicos, outras alterações podem simultaneamente estar presentes. O envolvimento de múltiplos órgãos, incluindo odinofagia, linfadenopatia, hepatoesplenomegalia e elevação de enzimas hepáticas e ferritina podem ocorrer.

Para avaliar a efetividade e segurança do Tocilizumabe, um anticorpo contra o receptor da interleucina-6 (IL-6), em pacientes com Doença de Still do adulto, foi realizado este estudo fase III. Trata-se de estudo randomizado, duplo-cego, controlado por placebo, onde 27 pacientes com doença refratária a glicocorticoides foram randomizados para Tocilizumabe na dose de 8mg/kg ou placebo, administrados via intravenosa, a cada duas semanas, por 12 semanas. Subsequentemente, iniciou a fase aberta, com Tocilizumabe por 40 semanas. O desfecho primário foi a resposta ACR 50 na semana 4. Os desfechos secundários incluíram ACR 20/50/70, escore das manifestações sistêmicas, dose de glicocorticoides e eventos adversos.

O resultado do estudo mostrou que a resposta ACR 50 na semana 4 foi alcançada por 61.5% no grupo Tocilizumabe e 30.8% no grupo placebo. A dose de glicocorticoides na semana 12 baixou em 46.2% no grupo Tocilizumabe e 21% no grupo placebo. Já as respostas ACR 20, ACR 50 e ACR 70, na semana 52, foram respectivamente 84.6%, 84.6% e 61.5%, em ambos os grupos. Os eventos adversos graves em todos os participantes que receberam uma dose Tocilizumabe foram infecções, necrose asséptica dos quadris, exacerbação da Doença de Still, erupção medicamentosa e choque anafilático.

Os autores sugerem que a inibição da IL-6 com Tocilizumabe seja eficaz em pacientes com Doença de Still do adulto refratários à terapia com glicocorticoides, para supressão de manifestações sistêmicas e para redução da dose de glicocorticoides. Entretanto, salientam que a eficácia não foi definitivamente comprovada neste estudo devido a limitações no número de pacientes, ao desenho do estudo e que seriam necessárias adequações aos desfechos. Ainda segundo os autores, um novo estudo, bem planejado e devidamente fundamentado poderá corroborar com estas descobertas preliminares.

 

Referência: Kaneko Y, et al. AnnRheum Dis 2018;77:1720-1729

 

Autor: Carlos P. Capistrano

Reumatologista da SRRJ