As vasculites associadas ao anticorpo anti-citoplasma de neutrófilo (ANCA), que incluem a granulomatose com poliangiite (GPA) e poliangiite microscópica (MPA), são doenças autoimune multissistêmicas e potencialmente fatais. Elas são normalmente agrupadas para realização de ensaios de tratamento por conta das suas respostas iniciais semelhantes à terapia padrão, que compreende a indução e manutenção da remissão. Os esquemas de indução por ciclofosfamida (CFM) são eficazes para estes casos, mas estão associados a infecções, maligndades e infertilidade. O micofenolato de mofetil (MMF) mostrou altas taxas de remissão em pequenos estudos de vasculite associada ao ANCA (VAA).

O estudo foi realizado de forma controlada e randomizada para investigar se o MMF foi não inferior à CFM para indução da remissão em VAA. Foram avaliados 140 pacientes recentemente diagnosticados, que de forma aleatória foram designados para MMF ou CFM em pulsoterapia. Todos os pacientes receberam a mesma dose de glicocorticóide oral e mudaram para azatioprina após a remissão. O desfecho primário foi a remissão em 6 meses, requerendo o cumprimento do esquema de diminuição da dose do glicocorticóide. Pacientes com taxa de filtração glomerular (eGFR) <15 ml/min foram excluídos.

No início, o subtipo ANCA, a atividade de doença e o envolvimento de orgãos foram semelhantes entre os grupos. A não inferioridade foi demonstrada para o desfecho primário de remissão, que ocorreu em 47 pacientes (67%) no grupo MMF e 43 pacientes (61%) no grupo CFM. Após a remissão, mais recidivas ocorreram no grupo MMF (23 pacientes, 33%) em comparação com o grupo CFM (13 pacientes, 19%). Em pacientes com MPO-ANCA, recidivas ocorreram em 12% do grupo CFM e 15% do grupo MMF. Em pacientes com PR3-ANCA, recidivas ocorreram em 24% do grupo CFM e 48% do grupo MMF. As infecções graves foram semelhantes entre os grupos.
Os autores concluiram que o MMF não foi inferior à CFM para indução da remissão na VAA, mas resultou em maior taxa de recidiva.

Referência: Jones RB, et al. Ann Rheum Dis 2019;0:1-7.

Autor: Dr. Carlos P. Capistrano
Reumatologista da SRRJ