Já faz cem dias do Governo Bolsonaro. As expectativas de campanha até agora não se confirmaram. Era de se esperar. As dificuldades são imensas, ainda mais considerando que a filosofia da atual administração é bem diferente da anterior.

Ideologia partidária à parte, a torcida é que a política governamental encontre os caminhos para geração de emprego, estabilização econômica, etc.

Os desafios são hercúleos e ao que tudo indica penosos.

Aqui nesta coluna, o tema em evidência é a Saúde. Vítima dos desgovernos de décadas, a Saúde vem agonizando e colecionando mortes e enfermidades. Tese preferida entre os presidenciais, a cada eleição somos hipnotizados com as promessas de dias melhores nos hospitais, clínicas e afins.  

Enquanto isso, doenças, a princípio controladas, voltaram a nos aterrorizar, dando-nos a impressão de que estamos vivendo uma fase “vintage” de enfermidades.

Sabemos que temos assuntos urgentes, mas o que é mais imprescindível do que a vida?

Não se tem notícia de nenhuma providência que nos conduza à estrada esverdeada da esperança. É curioso como o Estado negligencia os cuidados com a saúde da população. Medicamentos obrigatórios desaparecem dos postos de saúde; equipamentos, com frequência, estão inadequados para uso; sem higiene e com um serviço precário vivemos, ou melhor, sobrevivemos a essa hecatombe de maus tratos.

A política de saúde atual privilegia um sistema de “castas” que tem de um lado aqueles que não têm alternativa senão se submeter aos hospitais públicos, e de outro uma “elite” que consegue pagar um atendimento melhor.

Como seria bom se o presidente da Câmara dos Deputados estivesse trocando farpas com o presidente do Brasil sobre algum projeto de mudança; se o Ministro da Saúde tivesse encaminhado um pacote contra o desleixo nos Hospitais e Postos de Saúde públicos. Nenhum ruído neste sentido. Nem um tuite do filho, sequer.

Aos “sudras”, cada vez em maior quantidade, só resta protestar, chorar e lamentar, não necessariamente nesta ordem. Enquanto o Governo se preocupa em comemorar épocas de repressão, o país permanece em estado de agonia e sem motivos para celebrar, totalmente 100 graça.

Autor: Dr. Jansen Oliveira
Consultor jurídico da SRRJ