Foi publicado recentemente no periódico Lupus (Lupus (2019) 28, 174–180) um artigo que avaliou a existência de associação causal entre o consumo de álcool e o risco de desenvolvimento de lúpus eritematoso sistêmico (LES). Mais especificamente, se o consumo de álcool é um fator de proteção contra LES.
Os autores utilizaram uma técnica chamada “randomização mendeliana”. Trata-se de um método que usa variantes genéticas como variantes instrumentais para avaliar se associações observacionais entre possíveis fatores de riscos e desfechos podem indicar se existe um efeito causal consistente.
Foi realizada a análise de randomização mendeliana de duas amostras por três métodos diferentes: a média ponderada do inverso da variância, média ponderada e métodos de regressão de randomização mendeliana de Egger. Como variáveis de exposição, foram utilizadas as estatísticas publicamente disponíveis da frequência de ingestão de álcool do biobanco dos estudos de associação do genoma do Reino Unido (GWAS) com 336.965 pessoas (https://github.com/Nealelab/UK_ Biobank_GWAS). Como variável de desfecho foi utilizado um outro biobanco GWAS de LES do Reino unido, com 1.311 pacientes com diagnóstico de LES e 1.783 controles com ascendência europeia.
Não foram encontradas evidências de associação causal entre a ingestão de álcool e o desenvolvimento de LES por nenhum dos três métodos, com respectivamente os seguintes valores de p: 0,421; 0,34 e 0,464. A randomização mendeliana não comprovou a existência da associação causal inversa entre o consumo de álcool e a ocorrência de LES. Resumindo, a ingesta de álcool não protege as pessoas contra o desenvolvimento de LES: quem ingerir bebidas alcoólicas não estará protegido contra o LES.

Referência: Bae SC, Lee YH. Lupus. 2019 Feb;28(2):174-180.

Autor: Dr. Carlos Augusto Andrade
Reumatologista da SRRJ