O metotrexato (MTX) é uma das medicações mais utilizadas na reumatologia, e é a terapia de primeira linha para a artrite reumatoide (AR) nas diretrizes europeia, americana e brasileira. É utilizado, na maioria das vezes, por via oral, semanalmente e em doses baixas (7,5 – 25mg). Contudo, a resposta ao MTX não é a mesma em todos os pacientes, o que pode ser um dos motivos para que até 40% destes não sejam aderentes. Vários fatores podem influenciar esta não-adesão ao tratamento, incluindo características clínicas e psicológicas. A interpretação errônea de não-resposta da terapia com o MTX pode acabar justificando o início de terapias imunobiológicas, que são muito mais caras.

Para monitorar a adesão com mais precisão e desenvolver estratégias para melhorá-la, é necessário um teste objetivo, validado, de aderência ao MTX, e foi justamente este o objetivo deste estudo. Os autores usaram espectrometria de massa (HPLC-SRM-MS) baseada em análise bioquímica do nível da droga. Vinte pacientes com AR foram submetidos à avaliação farmacocinética do MTX usando a análise de concentração plasmática por HPLC-SEM-MS MTX por um período de 6 dias. A validação foi realizada usando amostras de plasma independentes de pacientes do mundo real (n=50). A sensibilidade do ensaio foi de 95%.

Os autores concluíram que a não-adesão ao MTX é comum e pode ter um efeito significativo na atividade da doença. A análise por plasma HPLC-SEM-MS detecta com precisão a aderência ao MTX. O teste objetivo validado pode ser facilmente utilizado na clínica para identificar pacientes que necessitem de apoio à adesão.

Referência: Bluett J, et al. Ann Rheum Dis 2019;78:1192-1197

Autor: Dr. Carlos P. Capistrano
Reumatologista da SRRJ