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Atualização sobre Vacinação

A influenza (ou gripe comum) circula durante todo o ano, mas tem sua maior incidência no inverno, quando as pessoas tendem a ficar mais aglomeradas por conta do frio, e menor tempo em ambientes abertos. É extremamente contagiosa, e dependendo do subtipo, cada paciente pode contaminar de 2 a 5 pessoas por vez. A contaminação se dá por contato com as secreções orais como tosse ou espirro, ou pelo contato com o vírus, através de superfícies como mesas, maçanetas, etc.
Importante relembrar que o resfriado comum, que tem sintomas preponderantemente de vias aéreas superiores, é causado por outra família de vírus, os Rhinovirus, com mais de 200 subtipos diferentes, com mutações rápidas, que não permitem a fabricação de vacinas, até pela sua baixa letalidade.


Os vírus da influenza são ortomixovírus, com três tipos antigênicos: A, B e C. O mais importante epidemiologicamente é o tipo A, capaz de provocar pandemias, seguido do tipo B, responsável por surtos localizados. O tipo C está associado com a etiologia de casos isolados ou de pequenos surtos.
Os vírus da influenza A são subclassificados com base nas características de dois antígenos, a hemaglutinina (H) e a neuraminidase (N), havendo três subtipos de hemaglutininas (H1, H2 e H3) e duas neuraminidases (N1 e N2). A imunidade a estes antígenos - especialmente à hemaglutinina - reduz a probabilidade de infecção e diminui a gravidade da doença quando esta ocorre. A infecção contra um subtipo confere pouca ou nenhuma proteção contra os outros subtipos.
Com intervalos variáveis, aparecem subtipos totalmente novos (por exemplo, mudança de H1 para H2), o que se denomina mudança antigênica maior, responsável por pandemias; mudanças antigênicas menores, dentro de cada subtipo, associam-se com a ocorrência de epidemias anuais ou surtos regionais.


No dia 23 de março de 2020 iniciou-se a campanha nacional de imunização contra Influenza. Nos serviços públicos será fornecida a vacina Trivalente, e nas clínicas privadas a forma Quadrivalente, que protege contra a Gripe A - H1N1, H3N2 e Gripe B - Victoria e Yamagata, manufaturada com os subtipos de maior circulação do hemisfério norte, durante o inverno. Desta forma, a vacina só fica pronta mesmo em meados de março, pois precisam ser feitos os reconhecimentos destas cepas, e então produzida a vacina bem específica. Estas cepas são liberadas para produção vacinal pela própria Organização Mundial de Saúde, e então são produzidas baseadas nestas informações. Todas as vacinas fabricadas em um determinado ano vencem em dezembro do mesmo ano. Neste aspecto, estamos sempre um passo à frente dos países do norte, pois o inverno deles começa em janeiro e o nosso em junho.


A vacina contra influenza é fabricada com partículas inativadas do vírus, sendo, portanto, inócua e incapaz de transmitir a doença ao paciente. Desta forma é recomendada para todos os indivíduos acima de seis meses idade até os idosos. É importante a vacinação ANUAL, pois a vacina é atualizada de acordo com os tipos que estão em circulação, então a vacina do ano passado não vale para este ano. As únicas contraindicações são alergia a proteína do ovo, alergia aos antibióticos polimixina e neomicina e alergia ao Tiomersal, aquele componente antigo do antisséptico Merthiolate, que já não tem mais esta composição.


A vacina contra a gripe do sistema público de saúde é distribuída somente à população de maior risco, como idosos, gestantes, crianças, pacientes portadores de doenças crônicas e imunodeficiências, e trabalhadores da saúde, professores, policiais e bombeiros. Depois de imunizada esta população alvo, com frequência é a aberta às demais esferas populacionais. A razão para não ser aberta a todos é tão somente de cunho econômico. Quem desejar, em qualquer faixa etária acima de 6 meses, pode receber a vacina na rede privada a um preço médio de um décimo de um salário mínimo.


Os pacientes reumatológicos em geral são candidatos à vacina, e basta uma prescrição médica para a Unidade básica de Saúde para receber a imunização gratuitamente, respeitando-se o calendário do Ministério da Saúde. Não há necessidade de modificar ou suspender nenhuma medicação imunossupressora, mesmo se for o dia do metotrexato. Recomendamos não vacinar somente em caso de febre, ou se tiver uma infecção em curso e esteja em uso de antibióticos, para que uma provável febre por reação à vacina não mascare o curso da evolução da infecção. Cuidado especial, contudo, com o rituximabe, em especial nos primeiros 90 dias pós infusão, quando a população de CD 20 esta menor, e então a resposta vacinal pode ser incompleta, sendo necessário uma dose booster. Neste caso, a critério médico, a segunda dose, com período de intervalo mínimo de 90 dias, pode ser considerada, embora na maioria dos pacientes uma dose já seja suficiente para uma resposta vacinal completa. Também não há problemas e fazer a trivalente e depois fazer a quadrivalente, respeitado o período de 30 dias de intervalo.


Para quem não sabe ou não lembra, o vírus H1N1 é o vírus da gripe espanhola, que levou a óbito cerca de 50 milhões de pessoas, no período estimado de dois anos, imediatamente após a primeira guerra mundial. Apesar de conhecida como gripe espanhola, ela foi originaria do Kansas, EUA. É também o vírus causador da gripe suína, que ficou bem famosa, mas desta vez não veio da China, e sim do México.
O melhor remédio para a gripe é a prevenção. Vacinar anualmente e manter as regras de higiene e etiqueta respiratória. Lavar as mãos pode salvar vidas! Mantenha estes hábitos mesmo fora das epidemias.

Autora: Dra. Selma Merenlender

Médica Reumatologista


Membro Titulado SBR/SRRJ.


Membro SBIM.